30 Day Book Challenge! – Dia 2: livro menos predileto.
14/09/201130 Day Book Challenge! – Dia 1: meu livro predileto.
14/09/201113 de junho,
13/06/2011dia de homenagear Fernando Pessoa.
Costumo dizer que não gosto de poesia, porque fiquei traumatizada na época em que vivia em São Paulo e frequentava o Espaço Unibanco: sempre tinha algum jovem poeta querendo me vender suas trovinhas.”Gosta de poesia?” “Não, desculpe.” E continuava andando.
O fato é que são raros os poemas que me agradam; porém, quando é o caso, sinto nada menos que um arrebatamento. Aí, leio, releio, leio em voz alta para mim mesma, várias e várias vezes, por vários e vários dias; alguns versos ficam ressurgindo espontâneos na minha mente; vou dormir e acordo pensando neles.
Foi (e é) assim com vários poemas de Fernando Pessoa e heterônimos. Durante a adolescência, me impressionavam os de Álvaro de Campos. Hoje em dia, sou muito mais Alberto Caeiro. Deixo então esses versos do “guardador de rebanhos” para ler, reler, ler em voz alta e guardar:
Alberto Caeiro V – Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.
Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?
“Constituição íntima das cousas”…
“Sentido íntimo do Universo”…
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.
Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.
O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
Bloomsday Blues
06/06/2011Dia 16 de junho é Bloomsday. Você não mora em Dublin. Você não estará em Dublin. Você nunca sequer leu Ulysses. Se você sabe exatamente qual a importância de James Joyce e sua obra para a cultura da sua espécie ocidental, mas está à margem por nunca ter experimentado por conta própria as célebres 24 horas na vida de Leopold Bloom, entristeça-se conosco.
Neste próximo Bloomsday, inclua a hashtag #bloomsdayblues em todos os seus tweets. Ninguém nos vai compreender. Somos a escória de uma intelectualidade quase extinta. Citaria um trecho de Ulysses agora, mas… eu nunca li Ulysses.
#bloomsdayblues
Mais um meme
02/06/20111 – Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
A Insustentável Leveza do Ser (Milan Kundera). Cada vez que leio me projeto em um dos protagonistas. É sempre uma experiência muito interessante.
2 – Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Veronika decide morrer (Paulo Coelho). Meu preconceito nunca me deixou seguir adiante. The Turning Point (Fritjof Capra) foi outro que deixei para trás. Até cheguei a lê-lo; mas como uma “colcha de retalhos”, sem linearidade.
3 – Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
Sandman (Neil Gaiman), sem sombra de dúvida! Qualquer um dos volumes é válido.
4 – Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Crime e Castigo (Dostô). Todo mundo diz que é “a minha cara”, mas ainda não tive a oportunidade de conferir.
5 – Que livro leste cuja ‘cena final’ jamais conseguiste esquecer?
Antes dos 14 anos, me marcou muito o final de Brave New World (Aldous Huxley). Entre os 14 e os 20, passei por uma fase em que tudo me encantava. Cheguei a chorar muito em algumas cenas finais de Harry Potter. Depois dos 20, quase nada mais me surpreendeu. [Brincadeirinha! Alias (Brian Michael Bendis), V for Vendetta (Alan Moore) e Death Note (Tsugumi Ohba) têm finais imprevisíveis e inesquecíveis].
6 – Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Desde os cinco anos passava o dia lendo, já que brincar com as outras crianças sempre acabava em bullying, ahaha. Preferia gibis, mas li apenas Turma da Mônica (Magali era minha preferida). Li também um pouco de José Mauro de Vasconcelos, Grimm e obras não-bíblicas de Jane Carruth (Aventura no Escuro era meu livro de cabeceira). Já na escola, li bastante da coleção Vagalume e outras obras adaptadas para o Ensino Fundamental. Ficção científica era meu gênero preferido nessa fase. Um livro que me marcou de forma peculiar foi O Mágico Desinventor (Marco Túlio Costa).
7 – Qual o livro que achaste chato e mesmo assim leste até o fim? Por quê?
The Physician (porca e desleixadamente traduzido para “O Físico”), de Noah Gordon. Disseram que melhorava nos dois terços finais. Acreditei e fui recompensada.
8 – Indica alguns dos teus livros preferidos.
Insustentável Leveza do Ser (Milan Kundera); Selected Illustrated Works (Dickens); Contos inúmeros do velho Machado; Primeiras Estórias (João Guimarães Rosa); Sandman (Neil Gaiman); O último voo do Flamingo (Mia Couto); His Dark Materials (Philip Pullman); Harry Potter – incluindo The Tales of Beedle, the Bard (J.K. Rowling); Transmetropolitan (Warren Ellis) e Alias (Brian Michael Bendis). E já que mencionei os quadrinhos, não posso deixar de citar Borgia (Jodorowsky & Manara); Maus (Art Spielgelman); V for Vendetta (Alan More) e New York (Will Eisner).
9 – Que livro estás a ler neste momento?
A Universidade pensada em vivida por Miguel Covian (Anette Hoffmann); Las Armas Secretas (Julio Cortázar); Histoires Inédites du Petit Nicolas (Goscinny & Sempé); The Umbrella Academy (Gabriel Bá). Aprecio muito ler vários livros ao mesmo tempo, incluindo minha sagrada bíblia Current Medical Diagnosis & Treatment – CMDT 2011.
meu meme
31/05/20111 – Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
Acho que são os que eu sempre releio vez ou outra: Franny e Zooey (Salinger); Memórias do Subsolo (Dostoyevsky) e, claro, Harry Potter (J.K Rowling)
2 – Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Moby Dick, Melville (sou tipo o Zelig)
3 – Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele? Madame Bovary (Flaubert)
4 – Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste? Em busca do tempo perdido (Proust)
5 – Que livro leste cuja ‘cena final’ jamais conseguiste esquecer?
Sem dúvida foi o final de Cem Anos de Solidão (Gabriel Garcia Marquez)
6 – Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura? Comecei a ler com cinco anos: Luis Fernando Veríssimo; Ziraldo; Monteiro Lobato; Giselda Laporta Nicolelis; Grimm; Fernando Sabino; e eu tenho um livro que lia muito quando criança que era de contos de fadas russos chamado os Sete Contos Russos.
7 – Qual o livro que achaste chato e mesmo assim leste até o fim? Por quê? A hora da estrela da Clarice Lispector. CHATO PRA CACETE!
8 – Indica alguns dos teus livros preferidos.
Franny e Zooey; Madame Bovary; Moll Flanders (Daniel Dafoe); Cem anos de Solidão; O Vale das Bonecas (Jacqueline Susann); O Cortiço (Aluisio de Azevedo); As Vinhas da Ira (Steinbeck); A Insustentável Leveza do Ser (Milan Kundera)
9 – Que livro estás a ler neste momento?
Baudolino – Umberto Eco
Minha vez
30/05/20111 – Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
O Nascimento da Tragédia, Nietzsche.
2 – Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Ulysses, James Joyce.
3 – Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
William Shakespeare, Collected Works.
4 – Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
História do Cerco de Lisboa, Saramago.
5 – Que livro leste cuja ‘cena final’ jamais conseguiste esquecer?
Vale conto: Um Homem Célebre, Machado de Assis.
6 – Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Pedro Bandeira, Melville, Monteiro Lobato, Conan Doyle, Vagalume, Grimm.
7 – Qual o livro que achaste chato e mesmo assim leste até o fim? Por quê?
Eu fui professor de Literatura de cursinho. Não saberia nem por onde começar.
8 – Indica alguns dos teus livros preferidos.
O Aleph, Borges. O Cão dos Baskervilles, Conan Doyle. King Lear, Shakespeare. Amar, Verbo Intransitivo; Mario de Andrade. A Ilíada, Homero, edição bilíngue traduzida pelo Campos.
9 – Que livro estás a ler neste momento?
A Gaia Ciência, Nietzsche.
Meme literário (a.k.a. *meus bons livro*)
30/05/20111 – Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
Sim. Coisas tão desconexas como Mai devi domandarmi (Natalia Ginzburg), Breakfast at Tiffany’s (Truman Capote), Franny and Zooey (Salinger), El beso de la mujer araña (Manuel Puig) e vários contos do Ricardo Piglia, do Borges e do Cortázar. Tem também um livro do Naipaul que li umas três vezes: A House for Mr. Biswas.
2 – Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Anna Karenina. Almas Mortas. Não me entendo com os russos, exceto o Tchekov.
3 – Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
Ai, que difícil. Próxima pergunta.
4 – Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
The sound and the fury (Faulkner). Um dia encaro.
5 – Que livro leste cuja ‘cena final’ jamais conseguiste esquecer?
Foi Assim, da Natalia Ginzburg. Mas a ‘cena final’ acontece no início.
6 – Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Claro… Os livros infantis da Lygia Bojunga Nunes, do Erico Verissimo, gibis da Turma da Mônica etc.
7 – Qual o livro que achaste chato e mesmo assim leste até o fim? Por quê?
El túnel, do Ernesto Sábato. Porque era curto e tinham me falado tão bem dele.
8 – Indica alguns dos teus livros preferidos.
Aqueles da resposta 1.
9 – Que livro estás a ler neste momento?
El vuelo de la reina, de Tomás Eloy Martínez.
10 – Indica dez amigos para o Meme Literário.
Fabio, Lari, Marina.
Baudolino
09/02/2010Erudição com diversão é um lugar comum para descrever a obra de ficção de Umberto Eco. Metalinguagem também. O jogo com o duo realidade x ficção também. O talento para o thriller também. Não sei como falar sobre Baudolino sem cair no lugar comum e, entretanto, o livro não é nada menos que surpreendente – contos medievais do ciclo do Graal e a teoria freudiana do complexo de Édipo mostram como as fontes do autor são diversas.
Destaco a passagem em que, chegando às terras orientais, além do rio de pedras, o grupo de aventureiros encontra uma brilhante alegoria do que foi (e é) a guerra das doutrinas no seio do cristianismo.
Leitura longa, às vezes pesada, mas vale muito a pena. Como as viagens de Baudolino (putz, isso também é lugar comum).
Mordendo a língua
05/08/2009Quando era pequena, gostava que meus pais lessem para mim, mesmo quando já era capaz de decifrar as palavras sozinha. Gostava também de ouvir uns discos e fitas coloridos da Disney que, em vez de músicas, continham histórias. Esses hábitos foram embora logo. Passei a ler os livros para mim mesma e a ouvir fitas e discos de música, apenas.
A idéia de um audiolivro, para mim, era associada a crianças ou a cegos. Sem brincadeira. A crianças, pela minha própria experiência na infância; a cegos, porque há um trabalho de produção de “livros falados” na fundação Dorina Nowill. Além disso, eu imaginava que ouvir um livro daria sono na certa.
Pois bem. Com o intuito de contar no blog, resolvi fazer uma experiência tentando ouvir um audiobook. Qual livro ouviria? Achei que uma newbie no mundo da leitura pelo ouvido deveria começar por algo simples. Como eu tinha parado de ler a série Harry Potter no livro 4, resolvi escutar o 5 (HP and the Order of the Phoenix).
Inesperadamente, eu consegui
a, sim, prestar atenção sem dormir (sentada, claro, porque das vezes que tentei ouvir na cama, acabei cochilando). Fui tomando gosto pela coisa e me envolvendo com a história, com os personagens, que são muito bem interpretados pelo “narrador” Jim Dale. Sim, consegui ir até o fim – e olha que o livro é longo! – e emendei a leitura “escuta” do HP and the Half-Blood Prince.
Viciei na interpretação do Jim Dale. Agora eu estou ouvindo o último livro e, sério, se tivesse tempo sobrando na minha vida, ouviria os outros livros da série que li. Adorei a experiência. E ainda tem uma vantagem que é deixar o corpo livre para fazer coisas que não te impedem de prestar atenção. Dá pra ouvir um livro correndo, andando de bicicleta, caminhando; lavando a louça, arrumando a casa; fazendo trabalhos manuais ou coisa que o valha.
Numa época corrida como a nossa, em que todos alegam não ler por falta de tempo, eis a solução: escute!
Imagem: Gettyimages.com